Para a paulistana Luna Buschinelli (02/07/1997) é difícil dizer quando foi o começo de tudo, já que ela desenha desde que pode se lembrar. Mas foi na adolescência que a artista começou a explorar seus traços, então uma forma de se expressar e dar vazão ao que não conseguia dizer em palavras. Seus primeiros desenhos, em preto e branco e muito menos complexos do que atualmente, já refletiam o estado de espírito da autora na época. “Foi uma fase muito difícil para mim. Sempre digo que o desenho me salvou”.

Aos 15, Luna expandiu esse universo particular com a descoberta do grafitti. Os primeiros rabiscos foram em casa – a artista preferiu aprimorar as suas técnicas antes de sair para as ruas – e só após dominar o spray é que ela começou a se aventurar pelos muros da cidade. “Achava que era muita responsabilidade ter um trabalho na rua visto por milhares de pessoas, que iria dizer muito sobre mim, e ainda não estava pronta para expor algo tão pessoal”.

Paradoxalmente, foi exatamente o grafitti que ajudou Luna a lidar com a sua timidez, e o que era um hobby virou um objetivo cada vez maior. Pelas ruas de São Paulo, a jovem artista ganhou reconhecimento e respeito, tanto do público quanto dos companheiros do grafitti, um respaldo importante para quem vive no cenário da street art. “O que me interessa mais no grafitti é poder levar arte para qualquer lugar, tirar dos círculos fechados e dar acesso a todos. Uma vez que você desenha em um espaço público, aquela obra não é mais sua, é de todos, pertence à cidade. O grafitti é democrático”.

Seja grafitando muros em 15 minutos, seja elaborando um trabalho de meses ou seja desenhando em seu caderno quando bate a inspiração, Luna tem seu próprio processo de criação: mesmo com o cuidado e o critério que as obras requerem, ela não trabalha com nada pré-definido. Para a artista, o processo do desenho é um abrigo que a convida a expressar suas mais profundas emoções, o que fica claro nos elementos oníricos de suas criações. E ela espera que as obras finalizadas provoquem o mesmo nas pessoas. “Desenhar é algo tão natural e orgânico para mim que não tenho um planejamento, o trabalho simplesmente flui. Na maioria das vezes, por mais que com uma temática concreta, não me preocupo em traduzir toda a minha arte para as pessoas. Acho que cada um vê o que precisa ver”.

Com uma gama de personagens repletos de personalidade Luna registra a evolução rápida do seu traço, dialoga com o mundo e se mantém fiel ao seu estilo. “Meus personagens estão sempre evoluindo assim como o meu trabalho, sempre em processo de transformação”.

                                                                                                             According to Luna Buschinelli (born the 02/07/1997, in São Paulo, Brazil) it’s hard to pinpoint exactly when drawing came into her life. She has been drawing ever since she was able to hold her first pencil. But it was only during her teenage years that the artist started to explore this path, at the time as a way to express feelings and thoughts she wasn’t able to voice. In black and white and much simpler than now, her first drawings already reflected her state of mind. “It was such a hard time for me. I always say that drawing saved me”.

When Luna was 15, she expanded her defined universe when she discovered graffiti. Her first pieces were made at home – she preferred to hone her techniques before heading out to the streets. It was only after mastering the sprays that Luna started to explore the city walls. “I thought that was a huge responsibility. Having my work on the streets, seen by so many people, a work that would say a lot about me. I wasn’t ready to reveal something so personal”.

Paradoxically, graffiti helped Luna deal with her shyness, and what used to be a hobby grew into something much bigger. In the streets of São Paulo the young artist gained respect and recognition from both the public and other graffiti artists, an important support for those who live on the street art scene. “What interests me most about graffiti is the opportunity to spread art everywhere, take it from the narrow circles and allow the access for everybody. Once you drawing in a public space, that work does not belong to you anymore, it belongs to the city, to anyone who is passing by. Graffiti is democratic”.

It doesn’t matter if it is a graffiti that takes fifteen minutes to be done or a piece that takes months to be completed, or even just some drawings in the sketchbook when inspiration hits, Luna has her own modus operandi: even with the sensible care and high standards that her art requires, she doesn’t work with predefinitions. Luna believes that the process of drawing is like a retreat that invites her to express her deepest feelings, which mirrors in the oneiric elements of her work. And Luna hopes that her art provokes something similar in people. “Drawing is such a natural and organic process for me that I don’t plan anything in advance, the work just flows. Though my art has it’s own tematic, most times I don’t worry too much about translating it to other people either. I guess everyone sees what they need to see”.

With a large variety of characters, the artist acknowledges the fast evolution of her drawing and remains true to her style. “My characters are always evolving. As well as my work, they’re in constant process of transformation”.